[comentário] do meu otimismo sem limites
13/05/2009
em resposta ao texto eles falam, nós falamos em uma das minhas melhores descobertas na internet nos últimos tempos… tema: censura
lu,
seu texto é denso… como o assunto. tive inclusive que reler umas partes, mas ele tá muito bem encadeado. esse é um assunto que sempre me assaltou, sabe? e não me lembro de ter nunca discutido isso on, nem offline.
fato é que sempre me pareceram muito estranhas as tentativas de censura oficiais, inclusive as legitimadas ainda hoje por estados democráticos, como a proibição de formação de partidos nazistas na áustria e alemanhã ou mesmo a proibição de uso de “linguagem ofensiva” aqui ou em qquer país. Não porque eu ache que é deveria ser legal (ou ilegal) ser nazista, homofóbico, racista ou anti-qualquer-coisa, mas sim porque em geral, fico com a impressão de que a legislação é feita para colocar limites na expansão do pensamento – claro, como forma de coibir a ação: mas ela tenta justamente na esfera onde ela nunca vai conseguir agir.
de certa forma, ligo isso com a idéia do post da marjorie sobre bater para educar. Não podemos deixar de lado o fato de que os nossos legisladores são os mesmos que cresceram com essa idéia da repressão violenta, que faz, pela força, com que as pessoas guardem seus sentimentos e ações para si ao invés de compartilha-los com o mundo – assim como não podemos negar que certas formas dessa legislação ainda se fazem justificadas, uma vez que abrem o caminho pra opinião pública em assuntos que antes simplesmente não entravam em pauta.
E é aí que a minha incrível capacidade de ser otimista entra: nós estamos vivendo uma época de compartilhar. Da valorização da educação compartilhada com o diferente. E eu acredito muito na idéia da educação através do compartilhamento de experiências – em que você não precisa se forçar a deixar de pensar ou de sentir nada porque é “errado”; basta colocar-se em contato com o mundo com uma visão auto-crítica e fazer a matemática no final de cada dia.
Felizmente, eu vejo a nossa pirâmide etária e enxergo que os legisladores dos mandatos eleitos dentro de 12 a 18 anos serão justamente os garotos que hoje tem 12 a 18 e que estão reinventando a comunicação interpessoal, a criação colaborativa e as formas de relações humanas através da internet. São justamente eles os que estarão participando diretamente da vida política do país até lá. Dá até pra ser mais otimista (!) e dizer que esses moleques tão com 2 carros de vantagem por causa do tamanho da novidade que eles criaram e que ninguém vai conseguir imitar: é preciso nascer (ou se educar) assim.
ps: estou muito, muito feliz de ter conhecido os seus textos, da aline e da marjorie nesse último mês; vocês estão fazendo um nerd um tanto mais feliz com tanto raciocínio compartilhado! ![]()
ps2: juro que um dia aprendo a arte da concisão…
a web é feita de relações, não é?
13/05/2009
então.
to tão feliz de ter voltado a atualizar o blog com um mínimo de cuidado que resolvi botar em prática outro plano que eu já tinha há um tempo.
esse espaço aqui serve pra mostrar pros meus 2 leitores o que eu penso – só que boa parte do que eu penso tá mais fácil de ser encontrada no google do que aqui, porque pensar é uma atividade solitária, mas discutir é coisa de se fazer em conjunto. Então, vou começar a postar aqui os meus comentários ligados a discussões relevantes que estejam acontecendo na internet. Aqui vai dar pra ver o que eu penso, e com o link, quem quiser acompanha mais o que acontece. Simples né?
essa semana tem dois. um acabou entrando ali embaixo, no dia 9 (que foi o dia que eu comentei) e o outro vem aqui em cima…
[comentário] pró-escolha, de carteirinha!
09/05/2009
em resposta a este post da queridíssima Iana, de quem eu quase nunca discordo. Mas qdo é acontece é frontalmente…
)
Iana, a questão do aborto é muito mais ampla do que os vídeos mostram. O aborto é um problema de saúde pública muito maior do que um problema de opinião pessoal. Felizmente, já é uma discussão antiga o suficiente pra que os dois grupos se organizassem em seus discursos e aprendessem a ser minimamente civilizados nas suas discussões, mas não podemos tratar o assunto como uma questão só legal, só religiosa, só social, só política, só qquer coisa.
Pensa bem. Os dois grupos que lutam nessa questão se chamam “pró-vida” e “pró-escolha”. Acho os nomes muito felizes no que querem dizer. Os primeiros querem a vida, os nascimentos, doa a quem doer, custe o que custar – e estão organizados políticamente pra fazer isso acontecer – inclusive com seus lados extremistas passando por cima de convenções internacionais sobre fetos anencéfalos, estupro, risco de vida da mãe, etc.
Os outros estão buscando um diálogo no sentido de que ser “contra-a-escolha” não lá uma coisa muito inteligente a se fazer, principalmente em uma questão afeta a sociedade como um todo. A interrupção da gravidez já é prevista em lei em alguns casos. O que eles querem é que a lei se estenda para permitir a consideração de outros fatores tão lícitos quanto >> Chamá-los de “pro-aborto” é ao mesmo tempo um erro técnico e uma estratégia baixa do grupo “pró-vida”, numa tentativa de desqualificar o outro lado.
Hoje a lei trata o risco de vida da mãe como uma questão médica: “se a mãe vai morrer, ela pode abortar – se a gravidez for ocasionada por violência sexual, também”. Se passarmos a ver o risco de vida da mãe como uma questão social: “o que vai acontecer com essa mãe, com essa família e com essa criança se ela abortar ou não?”, passaremos a tratar das pessoas, e não das situações. E aí acho que temos mais chances de acertar nas escolhas.
Eu sou ‘pró-escolha’, de carteirinha, da mesma forma como eu sou ‘pro-camisinha’, ‘pró-educação’, ‘pró-saúde’ e tudo o mais que indique que com um pouquinho de pensamento e olho no futuro, nós poderemos ter uma sociedade mais saudável mesmo antes de ficarmos velhinhos demais. MAS ao mesmo tempo em que eu sou ‘pró-escolha’, eu provavelmente nunca seria capaz de recomendar um aborto de um filho meu – considerando a minha situação social, pessoal, situacional hoje. Mas eu entendo que essa será, se for o caso, uma questão minha com a mãe da criança, não uma questão de caixinhas onde vc joga os casos “risco de morte” / “violência” / “todos os outros” >> a classificação em caixinhas não funciona, vide o número de abortos clandestinos no país hoje. Vamos botar o exército na rua pra proibir?
O discurso do vídeo é bonito, não posso negar. Mas ele só se aplica a um grupo específico que acredita naqueles valores cristãos que estão ali. Eu, do lado de cá, entendo esses valores pela minha história de vida, mas NÃO ACEITO que as regras da minha sociedade sejam ditadas por eles, uma vez que eles não me representam. Eu não me sinto representado ali e querer que eu aceite argumentos baseados em uma crença que eu não compartilho é uma violência contra mim como cidadão, entende? Por isso a questão da escolha é importante.
eu penso e eles escrevem:
30/06/2008
(tá… a ordem não é bem essa)
Sérgio Malberger: Ricos mais ricos, pobres mais pobres
Hélio Schwartzman: Vendendo a Amazônia | Rifando a Amazônia
Soninha: Cada quadrilha no seu lugar? | Insinuação de sexo pode; nudez não
sobre ciclos
21/06/2008
a moda sempre volta, a música, de um jeito ou de outro volta, a política, infelizmente, muitas vezes, também volta.
e hoje eu voltei… voltei a ler com gosto alguns autores* que andavam esquecidos na pilha de feeds do meu Bloglines. E como foi bom, em um dia em que eu já estava predisposto à contemplação, ler um pouco de sabedoria compartilhada por pessoas que com o tempo eu aprendi a admirar: Marcelo Tas, Soninha, Hélio Schwartzman. Me sentei na cozinha às 17h30, munido de uma baguete, um pedaço de queijo do serro, requeijão sabor cheddar e coca-cola. E lá se foram 4,5 horas do meu sábado. Muito bem gastas.
Entre os assuntos passaram o aborto, o trânsito, as drogas, a religião, e, claro, a política brasileira e seus caminhos absurdos.
Confesso que às vezes fica difícil manter o otimismo em relação a esse país, principalmente quando eu vejo exemplos tão concretos de que a formação das pessoas que vão comandar esse país vai de mal a pior. Não sei como me expressar, mas é impressionante como tanta coisa absurda ainda parece normal…
Talvez me falte agora fechar outro ciclo e voltar a ler alguns livros que tão parados na minha estante. Notadamente aquele Grande Sertão dedicado que a Valéria me deu. Talvez me falte conhecer melhor o ser humano.
A fabulosa edição 2007 do Amigo Culto!
11/12/2007
No ano passado, em uma troca de emails com um amigo, apareceu a idéia genial para fazer um natal diferente, divertido, culto e ainda por cima, grátis!
Realizamos pela primeira vez o “Amigo Culto”*, que já nasceu fadado a virar tradição… e foi ótimo: trocamos poesia, contos, romances, brasileiros, internacionais, sobre crianças, sobre adultos, sobre ditaduras e outras loucuras… Adorei ter ganhado um livro que eu jamais compraria, aliás, acho que todo mundo gostou do livro que ganhou…
Pois agora, às vésperas de mais um natal, é hora de reeditar essa idéia genial!
*A idéia:
Promover um Amigo Culto, variante das tradicionais brincadeiras para se entregar presentes mas que apresenta um funcionamento diferente – e muito menos constrangedor
) – além de trazer de volta a idéia completa por trás de trocarmos presentes: eu dou a você algo que eu gosto; e se eu gosto, você pode gostar também.
Como participar:
1º Passo: Procure nas prateleiras de casa, no fundo do armário, nos cantos das gavetas, entre as teias de aranhas e os ninhos de traças aquele livro bacanérrimo que você já leu (releu, treleu, tetraleu) e adorou. Vale qualquer assunto, qualquer tipo, qualquer tamanho, qualquer forma, desde que:
a) não seja um livro técnico,
b) seja em português e, mais importante de tudo:
c) vc não esteja “se livrando” dele e sim presenteando alguém com algo que VOCÊ gosta.
2º Passo: escreva uma dedicatória ao recebedor (ainda) anônimo, explicando porque escolheu justamente aquele volume para presentear-lhe.
3º Passo: embrulhe seu livro em uma embalagem criativa.
4º Passo: vá ao encontro onde serão retirados os bilhetes que dirão quem tirou quem – data, local e horário a confirmar!**
5º Passo: na hora de entregar seu presente, conte aos demais porque você gostou tanto dele (ou leia sua dedicatória, mas nunca, nunca conte o final!!)
6º Passo: receba seu presente e jure solenemente lê-lo, mesmo que seja um autor/assunto que você não curte e mesmo que para isso você tenha que engolir alguns preconceitos.
a) Lembre-se: se todos seguirem as regras e mesmo assim você ganhar um livro que nunca compraria, é porque algo de bom ele tem a oferecer!
7º Passo: curta o livro e guarde com carinho. No próximo ano, escolha outro título (diferente do que vc escolheu e não o que vc recebeu!)
Bom senso 1: os presenteados que receberem livros que já leram podem escolher trocá-los entre si ou relê-los e descobrir o que mais há por entre aquelas linhas.
Bom senso 2: a idéia é trocar livros usados e dos quais você tenha gostado, portanto, nada de sair às lojas gastando dinheiro e procurando volumes que você ainda não leu, ok?
MAS caso você queira presentar um título em especial mas por algum motivo não pode doar o seu exemplar (foi presente, está autografado, dedicado, mal-cuidado, cheio de rabiscos importantes ou perdido), aí tudo bem, pode comprar. Que tal?
——-
O melhor de tudo é que esse é o tipo de amigo oculto em que conhecidos e desconhecidos podem participar do mesmo jeito!
Então está aberto aqui o convite a todos os interessados! Deixe a vergonha de lado e participe! Ah, e amigos de amigos são bem vindos!
Para participar, mande um email para ricardo@ricardomoraleida.com e se identifique (mas não diga o presente!).
**A troca deve em um sábado à tarde, ou no dia 15 ou no domingo dia 23/12. O lugar vai ser escolhido em função da quantidade de pessoas, ok?
Espero as confirmações de todos para mandar as confirmações de data, horário e local!
)
en garde!
01/07/2007
Começa hoje novamente minha epopéia para começar e terminar “Viva o povo brasileiro” de João Ubaldo Ribeiro, que comprei no ano passado e não consegui ler, sabe-se lá porquê.
Não conheço suas outras obras, mas nesse livro João Ubaldo tem um estilo difícil, rebuscado, daqueles que em momentos soa absolutamente chato e pedante e em outros, como agora, esquisito e desafiador.
Mostre suas garras, caro literato. Quem é você para querer me derrubar?
–
Esse é só um passatempo enquanto espero chegarem meus esbanjamentos de junho:
Envisioning Information e The Visual Display of Quantitative Information, do Edward Tufte, uma espécie de semi-papa da representação visual e
My Secret: A PostSecret Book e PostSecret: Extraordinary Confessions from Ordinary Lives, ambos do Frank Warren, dono do excelente blog postsecret.blogspot.com
Minha primeira leitura de 2007…
Sinceramente? Eu esperava mais de um GGMárquez. Trago na memória as leituras de Cem Anos de Solidão, Ninguém Escreve ao Coronel, Olhos de Cão Azul e Crônica de Uma Morte Anunciada que foram livros e histórias que me fizeram viajar por universos complexos e fantasiosos, ativando minha imaginação a níveis ainda pouco explorados. Não me lembro mais se li seu conto chamado “A incrível história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada”, mas só o título também já vale sua menção nesse modesto artigo.
O fato é que “Memória de Minhas Putas Tristes” é um livro seco, apesar de envolvente. Curta e de fácil leitura, a história se desenrola rapidamente em torno de um senhor que acorda às vésperas de seu aniversário de 90 anos e decide se dar um presente: uma última noite de amor com uma adolescente virgem. A história rende boas reviravoltas que valem uma leitura sem muitas expectativas, acaba por fim por ensinar a nós, pobres mortais, uma ou duas coisas sobre o amor e as mulheres. Por cima de tudo, o livro ainda traz uma leve, porém ácida, crítica ao mundo “pequeno burguês” e à eterna busca da juventude.
Vale gastar algumas horinhas…
Inaugurando mais uma seção e diversificando ainda mais o que já é diverso, vou começar a comentar aqui no blog sobre os livros que eu leio, à medida em que leio. Nada de muito, uma notinha e pronto, tá bom demais, né? Na verdade, esses livros já estão rolando há algum tempo aí na coluna da direita. Vou tentar manter minha bibliotequinha online organizada pra quem quiser conferir…